Avançar para o conteúdo principal



                                              CRIME  FISCAL

     Apenas por curiosidade, consultei no Portal das Finanças o que é que a AT (Autoridade Tributária e Aduaneira) pensaria a meu respeito, que me considero um cidadão cumpridor das minhas obrigações fiscais.
Abri o campo das "Certidões" e obtive uma declaração, que imprimi e guardei, para o que desse e viesse...
     Rezava assim o papel: a Autoridade Tributária e Aduaneira  certifica que fulano (eu), com o NIF (o meu), face aos elementos disponíveis no sistema informático de gestão e controlo de processos de execução fiscal, tem a sua situação tributária regularizada, uma vez que não é devedor perante a Fazenda Pública de quaisquer impostos. A presente certidão é válida por 6 meses (note-se que os sublinhados são da própria AT).
     Óptimo!

     Como acontece todos os anos, e desde há vários, no segundo mês deste ano fui entregar o Mod.10 do IRS, que não envolve quaisquer custos nem encargos: é apenas a declaração dos montantes pagos durante o ano precedente, no âmbito da segurança social.
Surpresa minha e de muitos: estava ultrapassado o prazo de entrega porque as regras, disseram, tinham mudado. Sem alerta nem aviso.
     Pelo atraso de meia dúzia de dias seria cobrada uma coima de 25 euros, a menos que não tivesse nenhum incumprimento fiscal nos últimos 5 anos: ser-me-ia então concedido o perdão da multa!
     Não seria o meu caso, garantia, pois lembrava-me da Certidão abonatória da AT, ainda válida, que me dava como fiscalmente bem comportado!
Foi o sistema informático da AT (o mesmo ou outro?) que ditou, categórico: no ano transacto, eu, contribuinte com a situação tributária regularizada, tinha cometido o crime de ter pago o IUC (o selo do carro) com dois dias de atraso, incluindo o fim de semana, acrescido do valor da multa. Disso recordava-me perfeitamente: em vários dias seguidos, o sistema informático da AT esteve, comprovadamente, inoperativo ("tente mais tarde", repetia). Na primeira oportunidade estava à porta da Repartição de Finanças.
     Paguei o IUC e a multa, mas ficou o registo do crime fiscal.

     De pouco, ou de quase nada, me valeu a satisfação da Certidão que, por curiosidade, obtive do sistema informático da AT que, por um motivo menor, me passou a tratar por...criminoso fiscal!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

                                            DOIS DEDOS DE CONVERSA      Cruzamo-nos à porta do estabelecimento. E como por vezes sucede entre pessoas educadas, nas hesitações do entra-e-sai, foi o costume: faça o favor; o senhor primeiro; primeiro o senhor; faça o favor.      Parecia contar já uma bonita idade, que se adivinhava pelo rosto cansado, enrugado. Estático, mirou-me através das lentes grossas dos seus óculos, a sondar as lonjuras das memórias e perguntou: "o senhor não é daqui, pois não?"      Não! eu não era dali.      Em geografia simplificada, foi o que lhe disse: "a minha cidade fica a dois ou três concelhos a norte daqui, junto à costa".      "Então somos vizinhos", exclamou com alegria.      Desnovelou a vida: muito novo saíra da terra porque naqueles tempos a vida era difí...
                                                    PORTUGAL E BRASIL      A próxima cimeira luso-brasileira, a 19 deste mês, vai juntar os mais altos governantes dos dois países para prepararem (ou assinarem?) nada mais, nada menos do que 20 acordos!      Esta é uma possível boa notícia.      Na cimeira serão tratados assuntos relativos, entre outros, a Defesa, Justiça, Saúde, Segurança, Ciência e Cultura. Ciente das suas responsabilidades, o Governo português terá recolhido opiniões alargadas e fundamentadas sobre cada uma das áreas, no sentido de melhor servir os interesses do povo que representa.      Destaco duas áreas de vital importância: Defesa e Cultura.      No âmbito da primeira, a Defesa, oxalá não nos fiquemos pela "ambição" da compra de equipamentos. Os interesses m...

ANTÓNIO ENES

  Os elementos da primeira Guarnição da Corveta "António Enes" juntaram-se recentemente na Base Naval de Lisboa para uma cerimónia carregada de simbolismo: a despedida do navio, acabado de ser oficialmente abatido ao efectivo da esquadra naval. Concebida para uma vida estimada de 30 a 35 anos, navegou durante 55 anos! O patrono do navio foi António José Orta Enes: nasceu e estudou em Lisboa, tendo-se licenciado em Letras. Ainda estudante, assumiu um espírito liberal e republicano e viria a integrar o grupo "Geração de 70" (Eça de Queiroz e outros), que promoveu uma profunda revolução cultural, literária e política. Foi jornalista, escritor/dramaturgo, político e diplomata, deputado, Ministro da Marinha e do Ultramar, Bibliotecário-Mor da Biblioteca Nacional de Lisboa e Administrador Colonial (em Moçambique, e por sua iniciativa, mudou a capital da Ilha de Moçambique para Lourenço Marques). Devido ao último cargo, Conselheiro do Rei, foi feito Fidalgo Cavaleiro da Ca...