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                                        MÍNIMOS SALÁRIOS

     É o estado das coisas: pelo trabalho, há como prioridades os objectivos económicos e financeiros. A valorização pessoal dos trabalhadores não faz parte da equação, e a família será um problema marginal. A precariedade, sendo de uso descontrolado, prossegue o seu caminho e faz lei.
     
     O valor do salário mínimo nacional, de 530€, entrou em vigor em 1 de Janeiro do corrente ano, e levará quatro anos até se conseguir o aumento, acordado no parlamento, para 600€. Não é muito (será até insuficiente), mas representa o derrube de uma barreira (política) que fora julgada intransponível: congelado nos 485€, de 2011 a Outubro de 2014, passando então para 505€.

     O trabalho precário, que em vez de ser eliminado - uma questão de dignidade - é, pelo contrário, intensificado, e dá maiores lucros às empresas: calcula-se que ele representa 30% do ordenado mínimo. Façam-se as contas e descubra-se um novo salário mínimo nacional!
     O trabalhador, desumanizado, numa infindável cadeia de (outros) interesses, torna-se um objecto: é descartável. À vista de todos.

     Uma das cláusulas acordadas recentemente entre o(s) sindicato(s) dos estivadores e as entidades patronais, para além da melhoria das condições de trabalho, foi o aumento do salário mais baixo para 850€ (depois de tão demoradas negociações, deve ter sido considerado um salário justo). Este valor de remuneração mensal situa-se na parte inferior da respectiva tabela salarial; outros trabalhadores, consoante as categorias e demais condições, ficaram obviamente acima.
     Porém, não faltou gente influente que se abespinhasse com aquela "despudorada cedência" de se pagarem 850€ aos estivadores, como salário mínimo, que nada tem a ver com o salário mínimo nacional, que todo o trabalhador tem o direito de receber - e não recebe!

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