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                   TRABALHADORES E COLABORADORES


     O último número da revista FORTUNE apresenta dados das 500 maiores empresas norte-americanas, comparando-os com os do ano precedente. Poderão servir, os dados, a quem neles possa estar interessado.

     Demorei-me na introdução e nas considerações gerais, e delas retive dois aspectos: a importância das comunicações (internas e externas) numa empresa do séc. XXI, e as vantagens da avaliação contínua dos trabalhadores no desempenho das suas funções.
     Contrariamente ao que era tradicional - avaliação anual, "tratada nos gabinetes" -, este modelo melhora o espírito de equipa, reconhece (sem desvios) o mérito e estimula o gosto pelo trabalho. Com base nestes princípios, as empresas podem reunir boas condições para conseguirem ganhos sustentáveis - seu objectivo último -, para tanto sendo indispensável a existência de um ambiente de honestidade e de permanente dignificação das pessoas.

     Seria interessante dispormos de elementos semelhantes referentes às maiores empresas portuguesas. Salvaguardando as devidas distâncias, haveríamos de encontrar dados curiosos, sendo a excelência (obtida à custa de quê e atribuída por quem?) um factor que pretendem preponderante e se torna generalizado. Uma vulgaridade!

     Nas (grandes) empresas portuguesas - e porque temos que ser diferentes - sublinha-se enormemente a distinção entre entre trabalhadores e colaboradores. 
     Entende-se que os primeiros são aqueles que trabalham, têm os seus direitos garantidos e os salários mais ou menos justos, mutuamente acordados. 
     Já os segundos - que efectivamente trabalham - apenas colaboram, segundo a óptica dos patrões. Por essa condição, que a sociedade tão generosamente lhes confere, não têm o direito ao salário justo, não têm leis que os proteja, não têm sequer a dignidade que às pessoas é devida.


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