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O CIRCO

O circo, para ser bom, tem que ser genuíno. Podem melhorar-lhe as roupagens, apresentar trapezistas mais arrojados, ou animais ferozes, que o circo será sempre o circo de que toda a gente gosta, desde que tenha palhaços.
No último que chegou à cidade, não foi isso que aconteceu. Quiseram dar-lhe um ar de modernidade, mas não resultou. Tinha só palhaços ricos, e o povo não dispensa os palhaços pobres, que esses é que são a alma do circo. Quanto a animais, apenas aves de rapina amestradas. À volta do recinto, os trombeteiros ao seviço do patrão tocavam notas falsas.
O dono do circo, de casaca e cartola, apresentou uma novidade ao pouco público presente: «vou mandar cavar uma galeria que vem directamente dos bastidores e terá várias saídas na pista, para aumentar a surpresa dos senhores espectadores». Alguém da audiência perguntou se nessa altura os bilhetes iam ser mais caros.
Ia começar o espectáculo, e ouviu-se então um barulho esquisito.
-Mas o que é isto?
- É a francesinha que arrota!

(Cai a tenda de repente)

Comentários

Comandante.. então já faz escrita com quem pinta um quadro Impressionista ou é apenas um Dadaismo?

Já experimento pintar o que relatou? Com os seus verdadeiros personagens?
Uma Pintura Impressionista...
e Impressionante
Caro universalex,
Bem observado. Foi um toque de super-realismo no pequeno texto.
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

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