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INVERNO E PRIMAVERA Acabei de reler "O Inverno do Nosso Descontentamento" ("The Winter of Our Discontent"), do americano John Steinbeck, Prémio Nobel da Literatura em 1962, e dei por bem empregue o meu tempo. Decorrendo a acção do livro numa pequena cidade dos Estados Unidos, e a seguir à 2ª Grande Guerra, é espantosa a actualidade dos temas nele focados, que agora podemos considerar como se estivessem acontecendo entre nós. Afinal, aquilo que então se passou, tão bem descrito por J.Steinbeck, galgou as fronteiras e multiplicou-se como um vírus. Chegou até nós! No centro do romance reside o dinheiro ("dinheiro atrai dinheiro"), a hipocrisia e os falsos valores que habitam nas engrenagens da sociedade, em todos os níveis. Mas há quem não aceite a riqueza oferecida e prefira continuar a ser pobre, mas viver com dignidade e ser por todos respeitado, honrando-se a si próprio e a sua família, e mantendo presente a nobreza de caráct...
VEM AÍ A AUDITORIA! O efeito do alerta foi semelhante ao do lançamento de uma bomba: gritos lancinantes, correria de gente espavorida, fumos e maus cheiros. Um autêntico inferno. Foi logo pela manhã: uns ouviram a notícia na rádio, outros leram o grande título nos jornais. «Despachem-se, que vem aí a auditoria!», ouviu-se. A Casa Grande parecia uma casa de loucos: pais que chamavam pelos filhos, tios que procuravam os sobrinhos, os casais estavam desencontrados, e a contagem dos primos não tinha fim. «Faltará alguém?» Retiniam sem parar os telefones, e os telemóveis esgotavam a capacidade das redes. Fechavam-se portas, abriam-se gavetas, queimavam-se papeis. O fim do mundo. Um grito de ordem acabou, finalmente, com o caos instalado. «Calma pessoal! A auditoria não é para aqui». E não era,de facto. A notícia, essa sim, era verdadeira, e só fogo de vista: foi uma das primeiras medidas do ex-Ministro da Defesa, Rui Pena, que anunciava uma auditoria às Fo...
UMA CÂMARA EDIFICANTE! A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim (CMPV) vai construir um Centro Comercial e Habitações no espaço que até agora serviu de parque de estacionamento gratuito, e se situa nos terrenos da antiga cadeia, junto ao Hospital. A importância de tal parque , pela sua elevada utilização (mormente por pessoas que visitam internados no hospital), não necessita de qualquer justificação. A sua requalificaçãopoderia muito bem servir os interesses generalizados dos poveiros, se houvesse boas intenções (desinteressadas intenções). A nova edificação NÃO consta do Plano de Urbanização (PU) aprovado. Repito: NÃO consta! E, assim sendo, será legítimo perguntar-se: já vale tudo? O autarca presidente da Câmara, segundo os jornais, afirmou que a Câmara (a "sua" Câmara, acrescento eu) está ainda a estudar a urbanística mais adequada ao projecto, incluindo a volumetria do complexo. Simplesmente admirável! A CMPV virou-se agora...
A PRÁTICA DA CIDADANIA Saiu no "Público", há poucas semanas, a notícia de uma queixa apresentada ao Ministério Público contra - imaginem - nada mais nada menos que um ministro do actual governo. Sua Excelência dá pelo nome de Mário Lino, e tutela a importante pasta das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. A queixa, que tem muitos mais detalhes do que os que então vieram a lume, foi formalizada por uma dezena de cidadãos que se indignaram com as palavras proferidas pelo governante durante uma deslocação que fez a Madrid: declarou-se iberista confesso, e para dar relevo à eventual (e desejável?) união das duas nações ibéricas, até falou em espanhol... Um ministro, em visita oficial ao país vizinho (que naturalmente o recebeu bem, porque Portugal defende o melhor que pode os interesses espanhois), não é propriamente um vendedor de mercadorias ou projectos, e mesmo que se sinta mais espanhol que português, não pode pronunciar em público essas suas ideias....
A PAZ ACABOU! Os cinco membros do Conselho Permanente das Nações Unidas podiam fazer muito mais pela paz (e pela felicidade) no mundo, se a ONU tivesse feito as reformas que são necessárias, mantendo-se a Organização no mesmo ponto em que estava em 1945, quando foi criada. Até que surja uma desejável e urgente reforma na sua estrutura, os governos e demais organismos do poder têm que influenciar aqueles cinco membros, e insistemente os membros(temporários) do Conselho de Segurança. E até que algo de novo aconteça, assim vai a Paz por esse mundo, sabe Deus como... Na Póvoa de Varzim a Paz acabou oficialmente no dia 13 de Janeiro passado, com uma cerimónia que a Câmara organizou a apadrinhar a ideia, já com alguns anos, de um poveiro. Mesmo que as cerimónias passem para além dos limites da Póvoa, e se estendam ao país inteiro, os efeitos práticos serão sempre reduzidos. Resta a intenção, mas não nos devemos dar por satisfeitos. Temos que aprender a lutar pela Paz! ...
A REVOLTA DO LIXO Depois de trocados os votos de um bom ano novo, com os desejos de saúde e uns trocos, retomo a "blogo-escrita" com uma declaração de revolta: a revolta do lixo! Quero aproveitar o tão querido lema do nosso autarca-mor, o do "utilizador-pagador", para proclamar que não pago o lixo. Revolto-me! Explico: - Eu entrego e ofereço o lixo, que alguém aproveita; - Eu não utilizo o lixo que ofereço; - Se não utilizo o lixo, não o pago!
UMA FOTOGRAFIA DA CÂMARA Foi editada por Alberto Ferreira (P.da Batalha-Porto) e tem como número de registo 195/3, a magnífica fotografia dos nossos Paços do Concelho, que nos atira para a memória dos tempos. Não consegui determinar a data, o que pouco importa, por agora. O que mais interessa é o retrato que podemos imaginar da nossa Terra nessas décadas passadas, quando a população era relativamente pequena, os criminosos poucos e os gatunos um bocado mais. Nada que se compare aos dias de hoje! A legenda da fotografia parece agora querer chamar-nos à realidade dos tempos que correm, lembrando-nos algumas das valências da nossa "Casa Grande", e que diz: "Póvoa de Varzim - Casa da Câmara e Cadeia".