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                                                       TANTA MASSA, MARIANA 


  Foram tantos os desvarios, as incapacidades, incompetências e muitos outros males que fizeram com que o desenvolvimento lento do nosso país seja já um notório retrocesso. O futuro o dirá.

  Só uma chuva de milagres poderá obrigar a pensar naquilo que é muito mais urgente que o urgente, para se poder, enfim, respirar.

  Temos tido deficiência no uso de boas práticas, herdadas das nossas piores épocas, umas já históricas, outras mais recentes - mas todas de má memória! Servissem ao menos de lições, porque com os erros também se aprende.

  É incompreensível e é inadmissível que os nossos níveis de pobreza sejam gigantescos, e ficam sem perdão os que permitem a existência de tão elevado número de crianças com fome! 

  A grande maioria dos trabalhadores recebe salários baixíssimos, donde resultam, em parte, as minguadas condições de vida que os inferniza. Para eles, o futuro foi ontem.

  Paradoxalmente, por oposição à grande massa de gente pobre, e mesmo remediada, cresce a multidão de gente que enriquece desvairadamente - tanta gente!

  E do futuro, o que nos dizem os astros?

  Mais uma vez vem a capital europeia mitigar as nossas maiores necessidades, que se hão-de esbanjar num ápice, sem que a multidão se aperceba (experiência do passado). Desta vez, a remessa é tão grande (e rápida) que não deve haver capacidade para planear os investimentos. É a força do hábito...

  Ainda o "tiro de partida" não tinha sido dado e já se segredavam recadinhos a enfeitar pedinchice. O mesmo de sempre, agora em ritmo acelerado. Não há tempo sequer para elaborar um esquema pensado. Os amigos acorrem em massa, sejam eles a massa dos patrões ou os patrões da massa.

(Título adaptado do livro de contos "Tanta gente, Mariana", de Maria Judite de Carvalho)

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