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                                   O ARRANJINHO

     Na esquina da rua principal ficava a casa de dois pisos onde em tempo, e durante muitos anos, existiu uma taberna, a mais conhecida nas redondezas. Vinhos e petiscos, ambos afamados.

     O comércio em progressivo definhamento e desavenças familiares levaram a casa à ruína: já quase nada restava do antigo casarão.

     Alguém de bastantes posses e bons relacionamentos propôs-se fazer um arranjo na velha casa, prontamente autorizado, sem especial licenciamento, ficando a garantia que seria mantida a estrutura. Naturalmente: era apenas...um arranjinho!

     Durante meses e meses de entaipamento ocultaram-se as obras de restauro. Agora, a descoberto, já se vê a casa renascida, que da estrutura antiga deve conservar apenas o sítio. Irreconhecível, embora bonita, a moradia expandiu-se, aproveitando a boa vontade dos bons relacionamentos e o sempre conveniente espírito do "arranjinho".
     Até o galinheiro, nas traseiras, foi transformado num anexo de semelhante dimensão da moradia, com o pátio a dar para a piscina.

     Longínquos vão os tempos da velha taberna, que deu lugar a uma luxuosa vivenda, mercê de apenas um arrranjinho...

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