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                               VALEM  O  QUE  VALEM

     Nem a ficha técnica as salva: testemunham a veracidade de números, mas não revelam factores que distorcem, ou podem distorcer, a realidade, e por isso as conclusões.
     Refiro-me às sondagens.

     Quando se trate de política, é certo e sabido.
Os que saem agradados com os resultados exorbitam de optimismo e certezas: "as sondagens só confirmam as nossas expectactivas". Ainda que, no final, desçam uns degraus...
Os que são contemplados com os piores augúrios reagem, com assomos de certezas: "os resultados não correspondem à realidade, porque as sondagens valem o que valem". No fim, confirma-se que, de facto, elas valem o que valem: os resultados foram ainda piores.

     As sondagens são apenas um indicador, que pode ser de bom uso, e aí reside o seu grande potencial.

     Não pondo em causa a verdade dos números determinados, haveria que ter em conta muitos factores, que nem sempre são considerados: as conclusões serão, por isso, distorcidas e por vezes nada úteis ou mesmo prejudiciais.
     Quem encomenda a sondagem, diz ao que vai...

     Foi feita recentemente uma sondagem para auscultar a opinião pública (?) sobre eventuais candidatos a Belém, ou seja, à Presidência da República. Os resultados foram francamente negativos.
Explico-me: aos entrevistados foram indicados nomes de políticos mais ou menos conhecidos (o que não significa que tenham valor, e alguns...valem o que valem).
     Aos catalogados pintaram-se umas cores, para dar a ideia de pluralidade e isenção no inquérito; e ignoraram outros, até "vizinhos", que reúnem as condições: portugueses, maiores de 35 anos, sabendo ler, escrever e contar.
     É evidente que isto não interessa para o objectivo pretendido, e muito menos para o negócio. Mas regista-se.

     Sampaio da Nóvoa, ex-Reitor da Universidade de Lisboa, surgiu há poucos meses com um discurso ao qual me atrevo a classificar de patriótico: deu, aos portugueses adormecidos e aos políticos sempre ausentes, um abanão!
     Mexeram-se as consciências!
     Despertaram os entusiasmos!
     Renovaram-se esperanças!
De entre muitas opiniões, muitas mesmo, de pessoas singulares, surgiu a "unanimidade": temos Presidente!

     Pois bem! Naquela sondagem, os "vencedores" situaram-se na casa dos vinte e muitos por cento - "fartos de políticos", ouve-se! - e o "desejado" Sampaio da Nóvoa quedou-se em último com...2%!

     Concluo que se mantém a desinformação e reforça-se o espírito de manada. Todavia, serve-nos de algum conforto saber que as sondagens...valem o que valem!
     


    

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