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                                      A  CULTURA  AUSENTE

     Já faz parte dos roteiros literários: a Póvoa de Varzim, com as suas "Correntes d'Escritas", é uma referência nacional. Se a organização não é (ainda) perfeita, e os objectivos não têm sido amplamente conseguidos, paciência! Tudo vai melhorar, acredito.
     Nas várias edições - já se contam por dois dígitos! - das "Correntes", participaram nos eventos centenas de escritores de "expressão ibérica". É obra!

     Sem entrar em detalhes, realço os factos de muitos escritores se darem a conhecer, e com eles se poder trocar impressões, literárias ou de simples vivência, e, de não somenos importância, homenagear-se um ou outro (não interessando a nacionalidade), seja por um percurso literário ou cultural, seja por uma sua intervenção cívica notória.
Por tudo isso, o meu aplauso.

     Na semana passada faleceu Urbano Tavares Rodrigues. Perdeu-se - afirmo-o eu - um grande escritor português. E, pela escrita e para além da escrita, um grande cidadão!
Não quero, nem preciso, alongar-me em justificações. Sentirei menos a falta de Urbano Tavares Rodrigues porque posso reler (quase) todos os seus livros, que fazem parte do "meu espaço".

     A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim ignorou por completo (acintosamente?) o passamento do escritor. Errou, e errou profundamente! 
Os poveiros não mereciam que os seus legítimos representantes se acobardassem a ponto de ignorarem o acontecimento e prestarem a homenagem que Urbano Tavares Rodrigues merecia. Em nosso nome.

     Poderá a Póvoa de Varzim, em boa consciência, continuar a arvorar-se em paladina das escritas?
Penso que não, se não mudarem o pensamento.

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