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REFRESCOS DE FIM DE VERÃO


Para refrescar memórias, eis quatro xaroposos refrescos «servidos» por Macedo Vieira, Dr.,presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, em meados de Janeiro de 2004 (à distância de quase 2 anos das eleições autárquicas), durante uma entrevista pública comemorativa dos 10 anos de presidência, e organizada pelo «Póvoa Semanário/Radiomar»:

- «A Oposição tem o seu trabalho, mas vale o que vale. Nós temos sete vereadores e é a nossa opinião que predomina».

- «Eu sou sócio de uma empresa familiar que gere o nosso património, e se for preciso mais, até porque já estou há dez anos na Câmara Municipal e não vivo, nem queroviver da política».

- (respondendo à pergunta se acredita que os poveiros ainda estão cada vez mais com ele)

«Sinto-o na rua. Estou de consciência plenamente tranquila, até porque a Póvoa de Varzim, hoje em dia, tem padrões de qualidade de vida equiparados às cidades europeias».

- «No dia seguinte às eleições, encontrei um gabinete completamente vazio e sem que me tivesse sido transmitido qualquer dossiê relativo à Câmara Municipal. Nessa altura, sentei-me num sofá que aí estava, deitei as mãos sobre a testa e senti-me como se tivesse o mundo inteiro sobre as minhas costas, esperando mudanças».

Comentários

José Leite disse…
Fui dos que elogiei este tipo, com energia e convicção. Parecia-me competente, honesto, vertical. Aquele artigo no DN fazendo alarde da sua qualidade de médico para curar a cidade convenceu-me da sua magnanimidade, do seu poder "curativo", da sua capacidade "redentora"!!!
Humildemente confesso que me enganei!
Errare humanum est!

Mas. Ainda tenho esperança que melhore. Não sou radical...
Depois de descer ao purgatório, acredito que se regenere e faça a "limpeza" que se impõe e o seu passado exige!
CÁ 70 disse…
Caro Comandante, por altura dessa entrevista, feita para celebrar os 10 anos do Presidente, também eu lhe dediquei um poema no Póvoa Semanário. Aqui o recordo.


O FORMIDÁVEL
A um presidente com dez anos


O Formidável é formidável!
Antes de mais, porque poupa ao povo o pensamento.
E, se decidindo por todos, liberta a todos da decisão,
exige de todos a dívida – diria ecológica - de gratidão!
O Formidável decide a prioridade...
e ninguém tem nada com isso:
foi eleito sem margem para dúvidas!
E ser eleito sem margem para dúvidas, dizem,
é ganhar poder de tudo saber e de tudo poder...
Mesmo assim o Formidável insiste que é dialogante:
mas esgota o diálogo nas assembleias celulares do seu próprio tecido cerebral,
onde, por destino irremediável, só é viável
o aplauso formidável à obra pré-decidida.
O Formidável impõe, então, a cor:
o ocre, porque não gosta de branco!
Pois, em esforçada teoria, diz ser coisa da Ditadura!
O Formidável gasta na obra o dinheiro que não lhe pertence...
Engana a fome do que é urgente e essencial
com girândolas de supérfluo.
Deslumbra-se o povo; palmas para o Formidável!
E assim, de obra em obra, formidavelmente decidida,
O pilim que sobejava é o suor e o pão que agora nunca chega!
Mas o Formidável, que rima com inimitável,
usa o crédito bancário que, depois de si, alguém há-de pagar...
E como tem em dívida o povo, aumenta o imposto,
aumenta a taxa, que faz aumentar o custo da casa,
que faz aumentar o custo do empréstimo,
que faz aumentar o custo do imposto,
que continua a pagar o custo da girândola,
mas que se esvairá antes de pagar o urgente e o essencial.

Teimosas, ficam as placas encomendadas, a gritar:
Obra feita no tempo em que era único o Formidável!

Que importa ficar de fora um Futuro sustentável,
se o povo se ri neste banquete intragável?


Janeiro de 2004

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