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MORTE DE UMA PÁTRIA

 

                                             MORTE DE UMA PÁTRIA 


     "No final da Idade Média havia já uma língua ucraniana distinta, com raízes eslavas", refere a historiadora neerlandesa Anne Applebaum em "Fome Vermelha - a guerra de Estaline contra a Ucrânia".

E revela-nos também que há cerca de um século, a Ucrânia teria ganho a sua independência: "A partir deste dia, 9 de Janeiro de 1918, a República Popular da Ucrânia torna-se independente, não estando sujeita a ninguém, um Estado Soberano Livre do Povo Ucraniano".

     A Ucrânia, o grande produtor de cereais, foi sempre o centro de disputas territoriais por parte da extinta União Soviética, e depois continuado pelo poder russo - a repetição da história! Fazia, e faz, parte dos planos o ataque à destruição da identidade nacional ucraniana.

     Esse ataque final - destruição da identidade nacional ucraniana - ocorreu em 1932-33, e traduziu-se na morte pela fome de milhões de ucranianos.

     Nos anos anteriores, vários planos foram seguidos: ataques às pessoas, aos monumentos, à destruição de livros; extermínio da classe intelectual, com um feroz ataque à própria língua ucraniana, começando pela ortografia e por alterações linguísticas nos documentos oficiais e académicos, e incluindo a literatura e os manuais escolares. Jornais e livros, em ucraniano, deixaram de ser impressos, para se impor a língua russa como língua principal do processo educativo.

     O recurso às armas serviu essencialmente para fuzilamentos dos ucranianos resistentes, ou mesmo dos que, não oferecendo resistência, eram vítimas de intrigas políticas. Mais eficaz do que a destruição do povo ucraniano, pelas armas, foi o extermínio pela fome - Holodomor. O objectivo último seria, pois, a destruição da pátria ucraniana.


     Fica-nos uma grande lição: o apagamento da História e a destruição da Língua são as maiores ameaças à morte de uma Pátria! 

 

     

     

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