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                                 TEMPOS  RENOVADOS

     Miguel Torga, no "Cântico do Homem", oferece-nos as armas da luta, que não podemos deixar esmorecer: suplica-nos que em cada dia, todos os dias, recusemos o desencanto e se faça com que a confiança perdure, nos tempos que queremos renovados.

     Súplica

     Não adiem a nova primavera.
     Olhem que ramos tristes, os meus braços!
     Trinta invernos a fio, e só dez anos
     De rosas de inocência e de perfume!
     Lume!
     Lume é que a vida quer nos ímpetos gelados!
     Homens a arder de sonho e de alegria,
     Em vez de candelabros de agonia,
     Apagados.

      Recusa

     Convosco, não, traidores!
     Que poeta decente poderia
     Acompanhar-vos um segundo apenas?
     À quente romaria do futuro
     Não vão homens obesos e cansados.
     Vão rapazes alegres,
     Moças bonitas,
     Trovadores,
     E também os eternos desgraçados,
     Revoltados
     E sonhadores.

     Confiança

     O que é bonito neste mundo, e anima,
     É ver que na vindima
     De cada sonho
     Fica a cepa a sonhar outra aventura...
     E que a doçura
     Que se não prova
     Se transfigura
     Numa doçura
     Muito mais pura
     E muito mais nova...

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