Avançar para o conteúdo principal



       O  ESTADO  EM  QUE  VIVEMOS (I)


     Este não é o Estado que criámos, nem é o Estado que desejamos.
As condições para um bom Estado foram lançadas, mas com o passar do tempo, tudo, ou quase tudo, se alterou - piorando!

     Para o Estado minguado que agora somos, apontam-se, entre tantas razões (de origem interna), a impreparação política, a incompetência, o partidarismo, a luta desenfreada pelo poder, a ausência de ética, a honra ferida, a ganância, a desonestidade, a corrupção.
Numa palavra: a falta de sentido de Estado! de sentido patriótico! e de muitas outras faltas, como a solidariedade, a igualdade, a fraternidade.

     Sem respeito pela História e sem respeito pelas pessoas - sem patriotismo -, as irresponsabilidades varridas pelos dias vêm conduzindo à perda de soberania e à destruição da democracia.

     Mesmo assim, este é o nosso Estado, um Estado de Direito e Democrático, como se apregoa.
Tenho dúvidas que assim seja!
     Para que o fosse, teria que cumprir-se o que estabelece o livro primeiro da nossa organização política - a Constituição da República Portuguesa -, naquilo que são as Tarefas Fundamentais do Estado (Artº 9º):
 - garantir a independência nacional e criar condições económicas, sociais e culturais que a promovam;
 - defender a democracia política;
 - assegurar e incentivar a participação democrática dos cidadãos na resolução dos problemas nacionais;
 - promover o bem-estar e qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses;
 - assegurar o ensino e a valorização permanente.

     Estas são algumas das linhas mestras de orientação política do Estado.
     Do seu cumprimento não poderá haver desvio!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

                                            DOIS DEDOS DE CONVERSA      Cruzamo-nos à porta do estabelecimento. E como por vezes sucede entre pessoas educadas, nas hesitações do entra-e-sai, foi o costume: faça o favor; o senhor primeiro; primeiro o senhor; faça o favor.      Parecia contar já uma bonita idade, que se adivinhava pelo rosto cansado, enrugado. Estático, mirou-me através das lentes grossas dos seus óculos, a sondar as lonjuras das memórias e perguntou: "o senhor não é daqui, pois não?"      Não! eu não era dali.      Em geografia simplificada, foi o que lhe disse: "a minha cidade fica a dois ou três concelhos a norte daqui, junto à costa".      "Então somos vizinhos", exclamou com alegria.      Desnovelou a vida: muito novo saíra da terra porque naqueles tempos a vida era difí...
                                                    PORTUGAL E BRASIL      A próxima cimeira luso-brasileira, a 19 deste mês, vai juntar os mais altos governantes dos dois países para prepararem (ou assinarem?) nada mais, nada menos do que 20 acordos!      Esta é uma possível boa notícia.      Na cimeira serão tratados assuntos relativos, entre outros, a Defesa, Justiça, Saúde, Segurança, Ciência e Cultura. Ciente das suas responsabilidades, o Governo português terá recolhido opiniões alargadas e fundamentadas sobre cada uma das áreas, no sentido de melhor servir os interesses do povo que representa.      Destaco duas áreas de vital importância: Defesa e Cultura.      No âmbito da primeira, a Defesa, oxalá não nos fiquemos pela "ambição" da compra de equipamentos. Os interesses m...

ANTÓNIO ENES

  Os elementos da primeira Guarnição da Corveta "António Enes" juntaram-se recentemente na Base Naval de Lisboa para uma cerimónia carregada de simbolismo: a despedida do navio, acabado de ser oficialmente abatido ao efectivo da esquadra naval. Concebida para uma vida estimada de 30 a 35 anos, navegou durante 55 anos! O patrono do navio foi António José Orta Enes: nasceu e estudou em Lisboa, tendo-se licenciado em Letras. Ainda estudante, assumiu um espírito liberal e republicano e viria a integrar o grupo "Geração de 70" (Eça de Queiroz e outros), que promoveu uma profunda revolução cultural, literária e política. Foi jornalista, escritor/dramaturgo, político e diplomata, deputado, Ministro da Marinha e do Ultramar, Bibliotecário-Mor da Biblioteca Nacional de Lisboa e Administrador Colonial (em Moçambique, e por sua iniciativa, mudou a capital da Ilha de Moçambique para Lourenço Marques). Devido ao último cargo, Conselheiro do Rei, foi feito Fidalgo Cavaleiro da Ca...