POLÍTICOS DEVOTOS Mais do que a fé nos santos, a fazer de conta, é a confiança nos habituais penitentes, os eleitores: mal informados, ignorantes, fanáticos. A receita costuma resultar, e pode valer o sacrifício da falsa religiosidade quatrienal. A postura seráfica, em lugar destacado, pode fazer crer um aval. A reza política só pode ser de intensa convicção: dura até às próximas eleições! Os oragos visitados, no dia da sua festa, são esquecidos logo de seguida. Fossem os santos vingativos, e os políticos falsamente devotos seriam castigados, para se emendarem. O ridículo, como penitência, será bastante. Em vez de preces para obterem graças, os profissionais políticos autárquicos praticam a caça pouco di...