Avançar para o conteúdo principal

                               POVEIROS  DE OUTRORA

     A propósito da aquisição, para a  nossa Marinha, de dois pequenos navios (ou vapores) de fundo chato, vindos por mar desde a Inglaterra até ao Tejo, e da atribuição de altas condecorações aos seus comandantes devido a tão bravos feitos, "As Farpas", de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, descrevem a certa altura:

"Os pescadores de Ílhavo e de Ovar passam a sua existência em pequenos barcos, no mar, entre o Vouga e o Tejo. Os pescadores da Póvoa, os mais possantes e valentes homens de Portugal e talvez os primeiros remadores do mundo, fazem outro tanto. Estes navegantes nem têm o auxílio do vapor para irem avante nem o refúgio da escotilha para não irem ao fundo. Não têm senão o seu valor e o seu remo. O governo tem até hoje lançado impostos e multas aos nossos queridos comprovincianos da Póvoa e de Ílhavo, mas não nos consta que nunca lhes decretasse medalhas".

     Eram assim  - já o sabíamos - os poveiros de outrora, que parece não terem deixado tão brava descendência passados que foram apenas 140 anos!

Comentários

José Leite disse…
George Orwell, mais tarde, em «Animals Farm», dizia mais ou menos isto:

...são todos iguais, mas alguns são mais iguais...

Impostos a todos... mas alguns, amigos do peito, escapam às malhas...
Gostei muito da referência aos pescadores poveiros.
Anónimo disse…
Este comentário foi removido pelo autor.

Mensagens populares deste blogue

                                                    PORTUGAL E BRASIL      A próxima cimeira luso-brasileira, a 19 deste mês, vai juntar os mais altos governantes dos dois países para prepararem (ou assinarem?) nada mais, nada menos do que 20 acordos!      Esta é uma possível boa notícia.      Na cimeira serão tratados assuntos relativos, entre outros, a Defesa, Justiça, Saúde, Segurança, Ciência e Cultura. Ciente das suas responsabilidades, o Governo português terá recolhido opiniões alargadas e fundamentadas sobre cada uma das áreas, no sentido de melhor servir os interesses do povo que representa.      Destaco duas áreas de vital importância: Defesa e Cultura.      No âmbito da primeira, a Defesa, oxalá não nos fiquemos pela "ambição" da compra de equipamentos. Os interesses m...
                                            DOIS DEDOS DE CONVERSA      Cruzamo-nos à porta do estabelecimento. E como por vezes sucede entre pessoas educadas, nas hesitações do entra-e-sai, foi o costume: faça o favor; o senhor primeiro; primeiro o senhor; faça o favor.      Parecia contar já uma bonita idade, que se adivinhava pelo rosto cansado, enrugado. Estático, mirou-me através das lentes grossas dos seus óculos, a sondar as lonjuras das memórias e perguntou: "o senhor não é daqui, pois não?"      Não! eu não era dali.      Em geografia simplificada, foi o que lhe disse: "a minha cidade fica a dois ou três concelhos a norte daqui, junto à costa".      "Então somos vizinhos", exclamou com alegria.      Desnovelou a vida: muito novo saíra da terra porque naqueles tempos a vida era difí...
                      VINDIMAS, COLHEITAS E PROMESSAS      Normais fossem os tempos que vivemos e agora, mais mês, menos mês seriam os tempos de vindimas e de colheitas. Havia um calendário.      Agora já não se seguem as mesmas regras porque os homens tentam enganar a Natureza para melhor conseguirem os seus íntimos fins. E apenas os seus - nunca os dos outros!      Marco Túlio Cícero, nascido em 106 a.c., foi um talentoso advogado, filósofo, orador, escritor e político romano. Além dos muitos cargos políticos foi também militar, o que lhe deu a conhecer um outro lado da vida.      Num dos seus Tratados, Marco Túlio Cícero deixou-nos o seguinte testamento, fruto da experiência vivida e do seu pensamento:      "O Orçamento Nacional deve ser equilibrado. As Dívidas Públicas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pa...