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UM CONTO CURTO
Este conto é pequenino. É um contito. Temos que aprender a ser poupados, até nas palavras.
António era casado com a Ana. Eram o Tone e a Tonha, assim se tratavam eles, carinhosamente. Conheceram-se ainda nos bancos da escola. Eram catraios.
São gente simples, do povo: nasceram no meio do povo, viveram com o povo e trabalharam para o povo. Agora, cada um vive da sua reformazita.
À hora da ceia, de pantufas e roupão, diz o Tone, meditabundo:
- Tonha, lembras-te daquela vez que fomos aos Açores, no passeio dos idosos, e vimos aquelas vaquinhas simpáticas que sorriam para mim?
- Então não me havia de lembrar, Tone. E tu até parecia que falavas com elas. Estavas mesmo feliz e contente da vida.
- Por falar de animais, Tonha, é pena termos poucos pássaros na gaiola.
- Lá isso é! Podíamos era comprar uma vaca, comia a erva do jardim e tu andavas entretido, tone.
- É um bom conselho, Tonha.

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