Avançar para o conteúdo principal


R M G

Deve andar pelos 40 anos, mais coisa, menos coisa. Não apresenta sintomas de maleitas nem de defeito físico, e muito menos revela qualquer sinal de miséria.
Desempregou-se, há alguns anos, de livre vontade; e se já então as preocupações eram mínimas, agora são nulas. Como vive só, também por desejo próprio, tem quem lhe trate da vida: uma instituição social leva-lhe todas as refeições a casa. Nos intervalos passa a maior parte do tempo no café com os amigos, a jogar às cartas e às damas (estas à noite...).
No fim do mês recebe, pontualmente, o cheque da segurança social; ele foi dos primeiros a inscrever-se no programa do Rendimento Mínimo Garantido, com o aval de quem lhe fica com os votos, em todas as eleições.
Muitos se revoltam com a tremenda injustiça social, mas nenhum protesto o incomoda: o rendimento é garantido!
O pai, que vive perto, passou a fábrica a patacos, e ganha para cima de mil contos por mês, só de rendas!

Comentários

E em contrapartida outros desunham-se para conseguirem pagar os impostos e as taxas...

Uns pagam exageradas contribuições autárquicas por terem feitom umacasa tipo "maison" lá na santa terrinha, que custou sangue sour elágrigas de mais de uma vida de emigrante nas franças, alemanhas, africas ou américas, Outros tem habitação de graça, e ainda auferem o RMG...

UIso é bem pior que as chorudas reformas ou pensões que aufereme certos nababos que para tal nunca descontaram...

Mensagens populares deste blogue

                                            DOIS DEDOS DE CONVERSA      Cruzamo-nos à porta do estabelecimento. E como por vezes sucede entre pessoas educadas, nas hesitações do entra-e-sai, foi o costume: faça o favor; o senhor primeiro; primeiro o senhor; faça o favor.      Parecia contar já uma bonita idade, que se adivinhava pelo rosto cansado, enrugado. Estático, mirou-me através das lentes grossas dos seus óculos, a sondar as lonjuras das memórias e perguntou: "o senhor não é daqui, pois não?"      Não! eu não era dali.      Em geografia simplificada, foi o que lhe disse: "a minha cidade fica a dois ou três concelhos a norte daqui, junto à costa".      "Então somos vizinhos", exclamou com alegria.      Desnovelou a vida: muito novo saíra da terra porque naqueles tempos a vida era difí...
                                                    PORTUGAL E BRASIL      A próxima cimeira luso-brasileira, a 19 deste mês, vai juntar os mais altos governantes dos dois países para prepararem (ou assinarem?) nada mais, nada menos do que 20 acordos!      Esta é uma possível boa notícia.      Na cimeira serão tratados assuntos relativos, entre outros, a Defesa, Justiça, Saúde, Segurança, Ciência e Cultura. Ciente das suas responsabilidades, o Governo português terá recolhido opiniões alargadas e fundamentadas sobre cada uma das áreas, no sentido de melhor servir os interesses do povo que representa.      Destaco duas áreas de vital importância: Defesa e Cultura.      No âmbito da primeira, a Defesa, oxalá não nos fiquemos pela "ambição" da compra de equipamentos. Os interesses m...

ANTÓNIO ENES

  Os elementos da primeira Guarnição da Corveta "António Enes" juntaram-se recentemente na Base Naval de Lisboa para uma cerimónia carregada de simbolismo: a despedida do navio, acabado de ser oficialmente abatido ao efectivo da esquadra naval. Concebida para uma vida estimada de 30 a 35 anos, navegou durante 55 anos! O patrono do navio foi António José Orta Enes: nasceu e estudou em Lisboa, tendo-se licenciado em Letras. Ainda estudante, assumiu um espírito liberal e republicano e viria a integrar o grupo "Geração de 70" (Eça de Queiroz e outros), que promoveu uma profunda revolução cultural, literária e política. Foi jornalista, escritor/dramaturgo, político e diplomata, deputado, Ministro da Marinha e do Ultramar, Bibliotecário-Mor da Biblioteca Nacional de Lisboa e Administrador Colonial (em Moçambique, e por sua iniciativa, mudou a capital da Ilha de Moçambique para Lourenço Marques). Devido ao último cargo, Conselheiro do Rei, foi feito Fidalgo Cavaleiro da Ca...