UMA ROSA NO DESERTO Além do lixo indiferenciado no contentor, deixei ao lado uma caixa com coisas várias, ainda com algum préstimo. Angustiou-me o que, de soslaio, estava a ver: uma velhota a remexer no contentor à procura de qualquer coisa para comer. Como uma forte pancada, senti, ali figurado, o peso das injustiças que nos cercam e a revolta contra a desapiedada sociedade, egoísta, que nos cerca e sufoca. Uma curta saudação - "boa tarde" - ancorada num sorriso, não negaram uma ponta de orgulho próprio, sinal de quem nunca se vergará até ao fim dos seus dias. - Não tem livros, essa caixa? - perguntou. - Livros não tem, não. - Que pena! Eu adoro ler. Os livros são a minha companhia. Uns instantes depois ofereci...