Skip to main content


                   TRABALHADORES E COLABORADORES


     O último número da revista FORTUNE apresenta dados das 500 maiores empresas norte-americanas, comparando-os com os do ano precedente. Poderão servir, os dados, a quem neles possa estar interessado.

     Demorei-me na introdução e nas considerações gerais, e delas retive dois aspectos: a importância das comunicações (internas e externas) numa empresa do séc. XXI, e as vantagens da avaliação contínua dos trabalhadores no desempenho das suas funções.
     Contrariamente ao que era tradicional - avaliação anual, "tratada nos gabinetes" -, este modelo melhora o espírito de equipa, reconhece (sem desvios) o mérito e estimula o gosto pelo trabalho. Com base nestes princípios, as empresas podem reunir boas condições para conseguirem ganhos sustentáveis - seu objectivo último -, para tanto sendo indispensável a existência de um ambiente de honestidade e de permanente dignificação das pessoas.

     Seria interessante dispormos de elementos semelhantes referentes às maiores empresas portuguesas. Salvaguardando as devidas distâncias, haveríamos de encontrar dados curiosos, sendo a excelência (obtida à custa de quê e atribuída por quem?) um factor que pretendem preponderante e se torna generalizado. Uma vulgaridade!

     Nas (grandes) empresas portuguesas - e porque temos que ser diferentes - sublinha-se enormemente a distinção entre entre trabalhadores e colaboradores. 
     Entende-se que os primeiros são aqueles que trabalham, têm os seus direitos garantidos e os salários mais ou menos justos, mutuamente acordados. 
     Já os segundos - que efectivamente trabalham - apenas colaboram, segundo a óptica dos patrões. Por essa condição, que a sociedade tão generosamente lhes confere, não têm o direito ao salário justo, não têm leis que os proteja, não têm sequer a dignidade que às pessoas é devida.


Comments

Popular posts from this blog

AS GUERRAS DOS OUTROS

AS GUERRAS DOS OUTROS

     Em 9 de Abril de 1918 - há cem anos - o Exército Português (as Forças Armadas portuguesas) combatia no inferno de La Lys, no Norte de França, ao lado das tropas francesas contra as poderosas forças alemãs, depois da declaração de guerra da Alemanha a Portugal.
     Morreram muitos milhares de soldados portugueses, e muitos milhares ficaram feridos e com graves doenças.

     Hoje foi dia de homenagear com solenidade tantos heróis - sim, todos foram heróis - e as suas famílias. Nunca serão demasiadas as justas palavras que se digam, e também nunca secarão as lágrimas que por eles se choram.

     Hoje, e num acto de solidariedade e fraternidade, também deveria ser dia de honrar os militares portugueses que, mesmo não envolvidos numa guerra, estão prontos, por juramento solene, a defender a nossa Pátria.

     Na mesma Primeira Grande Guerra, muitos soldados indianos foram recrutados para combaterem na Inglaterra, ao serviço do seu rei-imperador. Um dos súbditos solda…

AMANHÃ, A MADRUGADA

AMANHÃ, A MADRUGADA


     É cálida a noite.

     As aves vigiam, guardando silêncio.

     Suave é a brisa, acariciadora.

     A lua, matreira, resguarda-se numa nuvem.

     As estrelas dão as mãos e sorriem.


     Tempo de vésperas.

     É chegada a hora dos audazes.


     Um raio de luz aponta a alvorada, a tão desejada alvorada.

     O princípio da esperança, a eterna esperança.

     É a madrugada do futuro prometido.

O CV DE VANESSA

 O CV DE VANESSA


     Depois de anos de bons serviços - muito trabalho - a Josefa deixou de servir na casa do morgado, senhor da terra. Não importam as razões, mais as suspeitas que as conhecidas.
     Além da trouxa com os pequenos haveres, e da generosa paga, a Fina, assim conhecida, foi servir para outra casa. Levava consigo uma carta de recomendação a atestar o profissionalismo, a dedicação e a honestidade com que sempre serviu o senhor morgado.
     Valendo como passaporte para uma vida talvez melhor, a meia dúzia de linhas da carta de recomendação era o Curriculum Vitae daqueles tempos passados na quinta.

     Os anúncios de oferta de emprego são taxativos: M/F (será escolhido o candidato que der mais lucro à empresa); 12º ano de escolaridade (têm preferência os licenciados: no começo das carreiras não protestam); conhecimento de línguas estrangeiras (o português não é prioritário); experiência anterior (pesa pouco: se tem experiência, o candidato já não será um jovem); carta de con…