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Showing posts from June, 2016
TRABALHADORES E COLABORADORES


     O último número da revista FORTUNE apresenta dados das 500 maiores empresas norte-americanas, comparando-os com os do ano precedente. Poderão servir, os dados, a quem neles possa estar interessado.

     Demorei-me na introdução e nas considerações gerais, e delas retive dois aspectos: a importância das comunicações (internas e externas) numa empresa do séc. XXI, e as vantagens da avaliação contínua dos trabalhadores no desempenho das suas funções.
     Contrariamente ao que era tradicional - avaliação anual, "tratada nos gabinetes" -, este modelo melhora o espírito de equipa, reconhece (sem desvios) o mérito e estimula o gosto pelo trabalho. Com base nestes princípios, as empresas podem reunir boas condições para conseguirem ganhos sustentáveis - seu objectivo último -, para tanto sendo indispensável a existência de um ambiente de honestidade e de permanente dignificação das pessoas.

     Seria interessante dispormos de elementos semelhantes re…
CÓDIGO DOS OPRIMIDOS

     Não quero acreditar que o Código do Trabalho contenha nos seus incontáveis artigos um que seja contra a dignidade das pessoas que trabalham. Contra a dignidade dos trabalhadores!
     Se isso acontecesse, seria gravemente violado um princípio constitucional, e então o Código do Trabalho seria ilegal. Sem dúvida, ilegal!
     Na letra, parece que tal não sucede. Na prática, porém, tudo é diferente: as violações são muitas, constantes, e decorrem à descarada.

     Muitos dos (grandes) patrões desempenham sistematicamente o papel de donos de imensas roças: colhem os lucros, o mais que podem, e mandam cortar mais e mais na ração...
     Eles são intocáveis.
Os capatazes executam as ordens dos senhores, que ninguém vê, e ainda acrescentam o seu quinhão de pretensa autoridade: enquanto os trabalhadores puderem respirar, estarão aptos para o trabalho!

     Há em Portugal uma entidade, dependente da organização do Estado, que deveria, por missão, cuidar da observância das c…
CRIME  FISCAL

     Apenas por curiosidade, consultei no Portal das Finanças o que é que a AT (Autoridade Tributária e Aduaneira) pensaria a meu respeito, que me considero um cidadão cumpridor das minhas obrigações fiscais.
Abri o campo das "Certidões" e obtive uma declaração, que imprimi e guardei, para o que desse e viesse...
     Rezava assim o papel: a Autoridade Tributária e Aduaneira  certifica que fulano (eu), com o NIF (o meu), face aos elementos disponíveis no sistema informático de gestão e controlo de processos de execução fiscal, tem a sua situação tributária regularizada, uma vez que não é devedor perante a Fazenda Pública de quaisquer impostos. A presente certidão é válida por 6 meses (note-se que os sublinhados são da própria AT).
     Óptimo!

     Como acontece todos os anos, e desde há vários, no segundo mês deste ano fui entregar o Mod.10 do IRS, que não envolve quaisquer custos nem encargos: é apenas a declaração dos montantes pagos durante o ano precedente, no …
MÍNIMOS SALÁRIOS

     É o estado das coisas: pelo trabalho, há como prioridades os objectivos económicos e financeiros. A valorização pessoal dos trabalhadores não faz parte da equação, e a família será um problema marginal. A precariedade, sendo de uso descontrolado, prossegue o seu caminho e faz lei.

     O valor do salário mínimo nacional, de 530€, entrou em vigor em 1 de Janeiro do corrente ano, e levará quatro anos até se conseguir o aumento, acordado no parlamento, para 600€. Não é muito (será até insuficiente), mas representa o derrube de uma barreira (política) que fora julgada intransponível: congelado nos 485€, de 2011 a Outubro de 2014, passando então para 505€.

     O trabalho precário, que em vez de ser eliminado - uma questão de dignidade - é, pelo contrário, intensificado, e dá maiores lucros às empresas: calcula-se que ele representa 30% do ordenado mínimo. Façam-se as contas e descubra-se um novo salário mínimo nacional!
     O trabalhador, desumanizado, numa infindável c…
TRABALHADORES

     A última greve dos estivadores do porto de Lisboa revelou-nos várias coisas que talvez não fossem do conhecimento generalizado. E seria um bom serviço a prestar se se analisassem, agora, todos os contornos da luta daqueles trabalhadores - todos os contornos! Assim, podia-se obter o remédio para males maiores, de que o país há muito padece.

     A revelação dos enormes custos que a greve estava provocando levou a negociações duras e prolongadas. A sangria da economia estancou, e será agora chegado o momento de redobrar os esforços para a desejada recuperação.

     Mas:
- a greve durava há um mês e poucos com isso pareciam incomodar-se, e dela se dava pouca notícia.
- os trabalhadores tinham contratos elaborados por uma empresa que, diz-se, fora "encaixada" no        sistema, como um corpo estranho.
- as razões que deram origem à greve nasceram há anos, durante a vigência do anterior Governo, o  qual por conveniência se alheou completamente do problema.
- as…