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                                 TEMPOS  RENOVADOS

     Miguel Torga, no "Cântico do Homem", oferece-nos as armas da luta, que não podemos deixar esmorecer: suplica-nos que em cada dia, todos os dias, recusemos o desencanto e se faça com que a confiança perdure, nos tempos que queremos renovados.

     Súplica

     Não adiem a nova primavera.
     Olhem que ramos tristes, os meus braços!
     Trinta invernos a fio, e só dez anos
     De rosas de inocência e de perfume!
     Lume!
     Lume é que a vida quer nos ímpetos gelados!
     Homens a arder de sonho e de alegria,
     Em vez de candelabros de agonia,
     Apagados.

      Recusa

     Convosco, não, traidores!
     Que poeta decente poderia
     Acompanhar-vos um segundo apenas?
     À quente romaria do futuro
     Não vão homens obesos e cansados.
     Vão rapazes alegres,
     Moças bonitas,
     Trovadores,
     E também os eternos desgraçados,
     Revoltados
     E sonhadores.

     Confiança

     O que é bonito neste mundo, e anima,
     É ver que na vindima
     De cada sonho
     Fica a cepa a sonhar outra aventura...
     E que a doçura
     Que se não prova
     Se transfigura
     Numa doçura
     Muito mais pura
     E muito mais nova...

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     Em 9 de Abril de 1918 - há cem anos - o Exército Português (as Forças Armadas portuguesas) combatia no inferno de La Lys, no Norte de França, ao lado das tropas francesas contra as poderosas forças alemãs, depois da declaração de guerra da Alemanha a Portugal.
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