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                               UM  CONCURSO  SUSPEITO

É notícia fresquinha mas já cheira a esturro, por se enquadrar num sistema muito utilizado por organismos governamentais e principalmente em autarquias (há provas).
Concentremo-nos nesta mais recente, saída no "Público" de 29/3: alguém do Ministério da Saúde - um transparente quadro, certamente - fez um ajuste directo a uma empresa que foi criada apenas um mês antes! E por quem foi ela criada? Ora, por quem havia de ser: por um ex-dirigente (de topo) da Administração Central do Sistema de Saúde!
Justificação ministerial: poupança, disse o preclaro, impoluto e humano Ministro da Saúde. Talvez. Mas até se terminar a investigação - que tem de ser feita - sobre o eventual acesso a informação privilegiada - tão fácil de obter -, e que é punida por lei, ficamos com a natural impressão que a corrupção continua a mexer.
E a tal investigação é requerida porque não nos basta a explicação dada pelo Ministro. A experiência tem-nos ensinado isso.

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     Uns anos depois nasceu uma nova versão da lei, neste particular da saúde, com diminuição nos parâmetros, para "maior rigor e transparência". Nova avaliação.
     Reunido o trio da Junta Médica (um clínico era muito novo), debruçaram-se sobre o novo relatório, semelhante ao anterior, e após algumas perguntas de circunstância e alguma cogitação, decidiram o novo grau de incapacidade: 62%!
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