Thursday, January 20, 2011

PAZ PODRE E GUERRA SURDA

A aprovação de um Orçamento de Estado de duvidosa eficácia e o consentimento na aprovação de medidas de austeridade fortemente penalizadoras para os mais desfavorecidos (a maioria), conduz-nos a maior desemprego, menor produtividade e maiores injustiças sociais. Foram medidas transversais a áreas diversas como educação, saúde, protecção à família, melhoria das condições sociais, etc., e que agora, em campanha eleitoral para as presidenciais, servem de pasto à demagogia bacoca, e - mau sinal - aplaudida por povo também bacoco.

Mas a máscara caiu!

Cavaco Silva apelou à vitória logo na primeira volta, nestas eleições para Presidente da República, porque os custos de mais campanha eleitoral seriam incomportáveis para a situação financeira de Portugal e para a situação económica muito difícil dos portugueses. Esta declaração incrível e absurda traz à superfície aquilo que o subconsciente lhe escondia: melhor seria não haver estas eleições, porque os portugueses já o conhecem e tem experiência do cargo (os outros candidatos não têm tal experiência nem são economistas).
Acrescento: para PR precisa-se de alguém que defenda Valores e tenha da Pátria um elevado sentimento, e que o saiba exercer e transmitir sem hesitações, tanto cá como no exterior.

Nestes últimos anos de governação turva e truculenta, que nos massacrou, o PR afirmou-se quase sempre pelos silêncios calculados (cúmplices?) em favor, diz, da desejada estabilidade política.
Mais valera ter-se feito ouvir sem tibiezas!
As suas credenciais (de economia) ter-lhe-iam concedido todo o direito e o dever de bem nos informar e esclarecer, mas preferiu gerir o tempo conveniente do equlíbrio instável!

Temos vivido num ambiente de paz podre, que alguns preferem apelidar de estabilidade política para evitar possíveis alarmismos.
Também temos tido um clima de guerra surda, que pretende espelhar o regular funcionamento das instituições democráticas, dizem.
Uma razão e a outra - paz podre e guerra surda - poderiam acabar de vez se Cavaco Silva fosse re-eleito PR: haveria então claramente estabilidade política (já a tivemos durante 48 anos!), e o povo português continuaria o seu penoso caminho, agora por culpa ...dos outros!

Isto só não acontecerá se o Povo quiser!

Thursday, January 13, 2011

O (RE)CANDIDATO CAVACO SILVA

As considerações que se seguem poderão servir para fazer uma avaliação de Cavaco Silva, (re)candidato à Presidência da República.

Como 1º Ministro (10 anos):
1 - Não poderei esquecer as fortes restrições financeiras que impôs às Forças Armadas, nomeadamente na aplicação da Lei da Programação Militar (inadmissível num bom economista) e nos vencimentos, com promessas não cumpridas (1991, para ser mais exacto).
2 - Ainda hoje os portugueses se questionam sobre a aplicação dos vultosos dinheiros vindos de Bruxelas, que não serviram para desenvolver, como se devia, as actividades produtoras de riqueza, com especial destaque para a agricultura e as pescas.
3 - No fim do seu 2º mandato apeou-se. Outro que tratasse das coisas! Não discuto questões de carácter e de lealdade para com os seus companheiros. Apenas observo.
4 - Afastou-se, ao que (se) diz, da vida política, e levou 10 anos a fazer a travessia do deserto. Por que motivos?

Como Presidente da República:
1- Por calculismo político, geriu silêncios.
2 -Permitiu que se levantassem e alimentassem suspeitas sobre o bom relacionamento e funcionamento das instituições democráticas (caso das escutas em Belém).
3 -Contrariando algumas sensatas opiniões e ignorando alertas e conselhos, preferiu defender um amigo, Conselheiro de Estado, até ao limite, em vez de prontamente mostrar clarividência, isenção, firmeza e defesa dos superiores interesses do país. Não dignificou o seu cargo.
4 - Apregoa alertas que terá produzido, mas não fez o uso devido das suas competências no que respeita à Assembleia da República:
- convocar extraordinariamente a Assembleia da República;
- dirigir mensagens à Assembleia da República e às Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas.
(Artº 133º da Constituição da Rpública)
5 - Como Comandante Supremo das Forças Armadas (Artº 134º da Constituição da República), deveria ter exercido efectivamente as suas funções e não permitir o público aviltamento da Instituição Militar. Não dignificou as Forças Armadas.

Como (re)candidato à Presidência:
1 - Mantendo-se inalterados os seus poderes, permitidos pela Constituição, como pode Cavaco Silva prometer uma magistratura activa num eventual próximo mandato? E no primeiro mandato, que agora termina, como foi então a sua magistratura? Passiva? Demitiu-se de algumas das suas funções ou deveres?
2 - Ao fim de cinco anos na Presidência, o (re)candidato apresenta o "populismo presidencial", referindo injustiças na sociedade, com desigualdades, pobreza e fome, problemas que poderão "ser resolvidos por um presidente com experiência".

Razões (estas e outras) mais que bastantes para não desejar Cavaco Silva na Presidência da República!