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NO SUPERMERCADO, O POVO !

À minha frente, na caixa do supermercado, a mulher asseada, com ar de desânimo e de raiva contida, colocou no tapete rolante o que tinha posto no grande cesto das compras: um quase nada! Para além duma embalagem de pão, duas de esparguete e uma de arroz, um pacote de leite (em "promoção"), três latas de salsichas (das mais baratas) e uma embalagem pequena de iogurtes de marca branca, a filha, dos seus dez ou onze anos, com ar asseado, trazia ao colo uma garrafa de água pequena, que não largava, como se fosse um tesouro.
Na hora de pagar, a mulher abriu o porta-moedas e quase não encontrou dinheiro; despejou tudo o que lá tinha e foi contando: não chegava para pagar tão pouca coisa!
Devolveu uma lata de salsichas, que foi insuficiente para saldar o total; devolveu a segunda, que também ficou aquém; a terceira , e última lata, foi para trás. O operador de caixa deu uma ajuda, contando as moedas, que ainda pecavam por defeito: os iogurtes ficaram na loja.
A miúda conseguiu salvar a garrafa de água; talvez a leve amanhã para a escola, para substituir o almoço!

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O quadro negro da nossa desgraça coletiva!

Em Cabo Verde, em Boliqueime, em Porto Rico, nos paraísos fiscais da Madeira, gordas maquias enchem as contas de alguns nababos que vão sugando, sugando, até ao tutano, este mendigo Portugal...

Até quando?!

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     E conseguiu.

     Sempre bom aluno, na universidade seguiu engenharia. Admitido à Academia Naval dos Estados Unidos, terminou o curso entre os dez primeiros, numa longa lista.
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     Não sendo homem de grandes falas, usava-as com o sentido preciso do juízo e do apreço, com genuíno sentimento, mas nem sempre bem compreendido.

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     Fiz um esforço para não ouvir mais.

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