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FUMOS E CINZAS

Portugal é um país organizado: o festival dos incêndios florestais tem datas marcadas para o começo e às vezes o fim. O sistema só mudará quando não houver mais nada para arder.

Já as "festas" iam no intervalo quando suas excelências o PR e o PM decidiram fazer uma pausa nas suas férias para "verem" os fogos, em números e fotos, no centro de comando, na capital (afastados das labaredas). Virtualidades!
Estes gestos mostram como entre nós se entende e se pratica a solidariedade com os bombeiros e as populações duramente castigadas. Preocupações e aflições ficam para depois.

O senhor da interna administração faz de ministro da triste figura: numa espécie de atento e rigoroso balanço, cita números a pretender competências e conhecimentos: "ardeu mais área este ano do que em 2009 e 2008, mas ardeu muito menos área que em 2003 e 2005"!
Vamos por partes:
- ardeu mais área este ano que nos dois últimos anos?! Havendo menos floresta para queimar e existindo mais meios aéreos e outros, o que falhou então? Falhou a prevenção!
- ardeu menos área que em 2003 e 2005? É óbvio: o governo era outro!

Há mais ministérios directamente envolvidos nesta questão, mas quem neles manda nem pia. Ausentam-se! Como ninguém por ora lhes pede contas, é sabido: depois logo se vê, quando encerrar o arraial.

Tanta anormalidade, que nos perturba, será efeito das chamas ou das cinzas?

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A estatística, a eterna arma de arremesso de quem detém o poder...

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