Skip to main content


A PRESSÃO MEDIÁTICA

É com este título que a jornalista Helena Matos apresenta hoje a sua crónica , no "Público". De entre os vários casos considerados, interessou-me um em particular, por referir a Póvoa de Varzim.

"A subserviência ao poder político, em regra muito grande, avoluma-se quando (...) se trata das autonomias e sobretudo do poder autárquico. Neste último domínio, o das autarquias, mesmo casos tão graves quanto a revelação da presença de Legionella pneumophila em instalações desportivas na Póvoa de Varzim, instalações essas frequentadas por crianças, grávidas e onde decorreram provas desportivas, arrastou-se na blogosfera até se tornar finalmente notícia.
Mas esta amorfa mediocridade do jornalismo está longe de se restringir às áreas do poder político."

Pela minha parte, e no que toca ao jornalismo caseiro, entendo que não vale a pena acrescentar ao muito que já se disse: será malhar em ferro frio.
Se insisto no tema é por outra razão: cabe agora (sempre coube) aos poveiros leitores-eleitores saberem ser exigentes na informação correcta, atempada e aprofundada. E, se possível, isenta. Uma atitude semelhante, e sem tibiezas, é requerida em relação aos originadores das notícias ou responsáveis pelos acontecimentos que são notícia, de quem não se esperam silêncios comprometedores ou deturpação das realidades.
Desta forma se poderá melhorar a credibilidade, se ainda existir alguma...

Assim não sendo, continuará a apatia voluntária e o comodismo cúmplice. Iremos, então, de mal a pior!

Comments

Lá vamos bajulando e rindo
Cá sempre foi assim
Não tugindo nem mugindo
Levados levados sim
A verdade omitindo
Pois a vida 'stá ruim
Ao Chefe sempre sorrindo
Pois ele dá o pilim!


E quem assim não fizer
Ainda leva um processo
Seja homem ou mulher
O chefe fica possesso
Se alguém dele maldisser...


Isto não é tirania
É o poder em acção
É esta democracia
Onde há só genuflexão
Ao líder da autarquia
Que exige fé, gratidão,
Quem não seguir esta via
É tratado que nem cão.

Popular posts from this blog

A Saúde dos Outros

A SAÚDE DOS OUTROS

1. Depois da intervenção cirúrgica à outra anca, o prestigioso ortopedista, professor catedrático, elaborou o requerido relatório para avaliação do grau de incapacidade, a ser certificado por uma Junta Médica, como manda a lei. Aplicou-se a tabela em vigor: 65% de incapacidade motora.
     Uns anos depois nasceu uma nova versão da lei, neste particular da saúde, com diminuição nos parâmetros, para "maior rigor e transparência". Nova avaliação.
     Reunido o trio da Junta Médica (um clínico era muito novo), debruçaram-se sobre o novo relatório, semelhante ao anterior, e após algumas perguntas de circunstância e alguma cogitação, decidiram o novo grau de incapacidade: 62%!
     A continuar assim, qualquer dia o utente da saúde ficará em estado de novo e dispensa as próteses!

2. A professora tinha cancro há alguns anos, e estava a fazer tratamento. Notava-se claramente, e custava-lhe muito ter que enfrentar os seus alunos. Para além do sofrimento físico, tinha qu…
PALAVRAS E SENTIMENTOS

     Filho de um agricultor com uma plantação de amendoins, o pequeno Jimmy cresceu num são ambiente familiar, marcadamente religioso, e pobre: a casa onde cresceu não tinha água corrente nem electricidade. Na Geórgia, nos Estados Unidos da América.
     A escola abriu-lhe os horizontes que haveriam de o levar a conseguir a concretização do seu desejo maior: ser um Homem!
     E conseguiu.

     Sempre bom aluno, na universidade seguiu engenharia. Admitido à Academia Naval dos Estados Unidos, terminou o curso entre os dez primeiros, numa longa lista.
     Serviu nos submarinos. Mais tarde, entrou na área da advocacia.

     Não sendo homem de grandes falas, usava-as com o sentido preciso do juízo e do apreço, com genuíno sentimento, mas nem sempre bem compreendido.

     Cumprido o seu dever como militar e tendo dado todo o seu saber ao seu país, deixou a Marinha no posto de capitão-de-mar-e-guerra.

     Falamos de Jimmy Carter.

     Governador do Estado da Geórgia, candid…

COUVES E TRAPOS

COUVES E TRAPOS

     Tive que esperar largos minutos até chegar a minha vez para comprar selos.
 À minha frente estava uma mulher do povo, fortalhaças, vestida de preto, e na casa dos cinquenta.
     Era impossível não ver nem ouvir a funcionária dos correios ir contando, e cantando, as notas que ia colocando no balcão: cem, duzentos, trezentos, quatrocentos, quinhentos...
     Fiz um esforço para não ouvir mais.

     Olhei à volta e calculei, pelo que vi, que devia ser dia de pagamento de pensões.

     Curiosamente, àquela mesma hora discutia-se no Parlamento - no nosso Parlamento - a questão ignominiosa dos contratos de trabalho precários e correspondentes vencimentos miseráveis, que atingem milhares de pessoas, muitas delas com formação superior; e, como se verifica, há deputados, alinhados com certo tipo de patronato, que ainda gastam o seu tempo a discutir este problema, que nos envergonha.

     Fiquei a matutar naquela cena passada nos correios. Aquela cara não me era estranha! Creio j…