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A PÓVOA E O NOBEL DA PAZ 2006

Retomo o tema do texto anterior («Prémio Nobel da Paz 2006) porque penso que mais ideias se podem trocar sobre esta questão do Microcrédito, quanto a mim uma medida de capital importância nos dias que vão correndo (e em que tanto se fala de globalização...).
O essencial está no facto de eu acreditar piamente que o caminho apontado por M.Yunus é UM dos caminhos a seguir para se alcançar a paz, ou antes, para não se incentivar a guerra. Sobre isso não tenho a mínima dúvida.
Dos vários Prémios Nobel, o da Literatura e o da Paz devem ser os mais subjectivos, e talvez por isso provavelmente os mais politizados. Todos temos consciência e conhecimento dessa realidade.
No presente caso do Nobel da Paz estamos perante uma pequena-grande revolução pacífica que, estou certo, dará os seus frutos.
O Microcrédito também chegou a Portugal (nós somos um país pobre, embora haja muitos ricos), ainda com pouco reflexo, mas com resultados positivos. A questão está em que os Governos não se orientam decididamente por essa matriz, e foi necessário criar-se a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC), que contou com a participação de dois Bancos (BCP e CGD). Se a ANDC tiver mais visibilidade (e porque não um Programa de Governo?), os fabulosos e escandalosos lucros da Banca (tantas vezes à custa de pobres, ou dos menos ricos) poderiam, em certa medida, convergir para um alargado programa de Microcrédito.
Esta medida «chegou» também à Póvoa sob a forma de Proposta do Partido Socialista, no seu Programa Eleitoral para as últimas Autárquicas, que diz claramente (medida 1.1, pág.15): «incentivaremos os desempregados e os desocupados a concretizarem projectos de auto-emprego e criaremos condições de acesso ao MICROCÉDITO através de parcerias com a ANDC e com o IEFP». Os poveiros (alguns) rejeitaram a proposta porque talvez não a tenham sequer lido.
Julgo que é altura de discutir o assunto com a sociedade poveira. A Póvoa não ganhará um Nobel, mas ganhará seguramente a gratidão de toda a sua gente.

Comments

Caro comandante:

Este seu post é altamente elucidativo sobre uma nova luz no tocante aos actos eleitorais futuros.

Cada vez mais se vão sedimentando ideias, maturando propostas
e compulsando friamente as diversas soluções alvitradas pelos partidos em ambiente tranquilo, deixando de ser aquelas vésperas eleitorais a decidir tudo.

O papel dos blogues é importantíssimo neste aspecto. Este caso concreto é só por si um exemplo paradigmático. Oxalá haja mais contributos como este para que se possa repensar o futuro com seriedade, profundidade e com lisura de processos.
CÁ 70 said…
Caro Comandante

Como se deve lembrar, em 13 de Maio de 2005, no discurso "Depois da Tentação do Traço, a tentação do risco.Pela Póvoa, um risco que vale a pena tentar…" com que assinalei a minha candidatura à Presidência da Câmara, depois de absorvida a influência de Yunos, o Microcrédito surge com importância estratégica para o combate à pobreza e ao desemprego no nosso concelho.
Disse então:
"Não há completa cidadania quando é magro o pão de cada dia!
Por isso, o trabalho e o emprego são instrumentos fundamentais para alcançar a dignidade e a autonomia necessárias à vivência completa no seio da comunidade.
É urgente ir junto de quem precisa e levar ajudas de emergência.
Mas, é preciso criar mecanismos de autonomização que retirem de vez as pessoas da marginalidade.
Uma parte importante dos desempregados e dos desocupados (principalmente mulheres) não encontram resposta no mercado de trabalho, porque não possuem as qualificações desejadas pelos empregadores, por questões de idade ou porque vivem em locais de baixo dinamismo económico.
Todavia, algumas destas pessoas possuem saberes-fazeres ou capacidades produtivas que lhes permitiriam criar o seu próprio posto de trabalho ou uma microempresa. E têm ideia do negócio a que gostariam de se dedicar. Outras já iniciaram alguma actividade informal de que retiram conhecimentos e alguns proveitos.
Comigo, a Câmara Municipal incentivará os desempregados e os desocupados a concretizarem projectos de auto-emprego. E uma das formas de os auxiliar é criar parcerias com a Associação Nacional de Direito ao Crédito e com o Instituto de Emprego e da Formação Profissional para promover o MICROCRÉDITO.

São as micro-empresas que mais geram emprego em Portugal, e este mecanismo tem permitido a muitos lançarem-se em pequenos negócios que mais tarde geram emprego para outros. Neste sentido o Microcrédito é um instrumento com um grande potencial na luta contra a pobreza. "

Positivo, foi também conseguir a integração desse objectivo no Programa Eleitoral do Partido Socialista apresentado nas Autárquicas de Outubro de 2005!

Pena é que, na Póvoa a mentalidade obtusa que contamina o poder não esteja aberto a este caminho!
Mas isso será até um dia!

Um abraço

J.J.Silva Garcia

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