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ROSAS VERMELHAS

- No Dia Internacional da Poesia-


Esta é uma história verídica que me contaram, sobre uma cena macaca vivida numa autarquia do interior, daquelas em que ainda se vive o clima de «quem não é por mim é contra mim», e que se conta em duas penadas, embora seja assunto a merecer profunda reflexão.
A Câmara Municipal apoiava uma festa das crianças com paralisia cerebral; numa das instituições de apoio social, que participava no programa, havia uma criança com grande poder criativo na poesia; a sua Psicóloga Educadora incentivou-a a apresentar um poema, o que encheu de alegria a criança. E dali nasceu um poema belo, enternecedor, dedicado aos seus Pais: falava de flores, rosas e cravos vermelhos (a cor vermelha pode significar Amor, sabiam?), e falava do Sol e das aves!
No dia do ensaio, e perante dois vereadores da referida autarquia, justamente o da Cultura e o da Acção Social, a Educadora sofreu um baque: aqueles responsáveis, de visão monocromática, acharam que o poema , se bem que parecendo bonito, «fala muito em rosas e cravos vermelhos, sabe como é...; talvez a senhora doutora possa fazer com que a criança escreva outro, que não seja tanto de esquerda».
A criança, entristecida, escreveu o poema que foi lido na festa, e que falava de frutos: laranjas e tangerinas!

(N.B.-esta crónica foi escrita em 24.07.2005, para o renovado «Comércio da Póvoa», que não autorizou a sua publicação).

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