Skip to main content
RAÍZES


À memória do meu Pai

`
Homem livre,
dos mais livres que já conheci,
na palavra e no gesto,
em tempo e contratempo,
indiferente à força dos poderosos
e ao sentido dos ventos.

Não conheceu ouro nem prata,
nem mundana glória.

A sua vida foi um bom combate,
cristalino,
frontal,
pela dignidade das pessoas e do seu povo.

Prática quotidiana
de integridade, coerência e coragem,
espantosamente simples,de tão natural.


À minha Mãe


Esquecimento persistente de si mesma.
Presença discreta e total.
Amor e afecto pressupostos, como o ar.
Vigília no sono, para descanso do nosso.
Mina inesgotável de serenidade.
Agilidade pelo tempo intocada.
Na aparência frágil, escora e suporte.

Na concha das suas mãos coloco estas folhas
soltas
do meu outono.

(Eng.Dr. Alfredo Bruto da Costa, no frontispício do seu livro «Exclusões Sociais»)

Comments

Belos poemas Comandante
CÁ 70 said…
Viva a Poesia!
CÁ FICO said…
Em Argivai nada de novo...
Boa escolha...
Bruto da Costa, lembra-me o mais antigo blog jurídico
cujo nome momentâneamente esqueci...e ainda uma ideia de António Guterres a continuar -os chamados "ESTADOS GERAIS"...

Blog comandante... estou à espera para "afiar o dente" .. eh! eh!

Ah! O Blog era e penso que aida existe :

CIBERJURIS
UNIVERSALEX said…
This comment has been removed by a blog administrator.
UNIVERSALEX said…
Não creio que seja voluntário...


E de facto não era...

recebi Há pouco informação do JJ que tinha sido erro de reformulação do Blog...

e eu que sou marinheiro "esquentado" , vi-me na obrigação de lhe restituir as desculpas...

lá diz o ditado " irrar é Umano "...
bruna bellosti said…
um poema é belo quando, ao o lermos ,sentimos cada palavra e ao conhecer as pessoas em questão sabemos então tratar-se de um verdadeiro poema.
pela sua isência pura.
quer do poema quer a quem se refere
Bb said…
As palavras ou nos ofendem ou nos seduzem...;) Carpe diem

Popular posts from this blog

AS GUERRAS DOS OUTROS

AS GUERRAS DOS OUTROS

     Em 9 de Abril de 1918 - há cem anos - o Exército Português (as Forças Armadas portuguesas) combatia no inferno de La Lys, no Norte de França, ao lado das tropas francesas contra as poderosas forças alemãs, depois da declaração de guerra da Alemanha a Portugal.
     Morreram muitos milhares de soldados portugueses, e muitos milhares ficaram feridos e com graves doenças.

     Hoje foi dia de homenagear com solenidade tantos heróis - sim, todos foram heróis - e as suas famílias. Nunca serão demasiadas as justas palavras que se digam, e também nunca secarão as lágrimas que por eles se choram.

     Hoje, e num acto de solidariedade e fraternidade, também deveria ser dia de honrar os militares portugueses que, mesmo não envolvidos numa guerra, estão prontos, por juramento solene, a defender a nossa Pátria.

     Na mesma Primeira Grande Guerra, muitos soldados indianos foram recrutados para combaterem na Inglaterra, ao serviço do seu rei-imperador. Um dos súbditos solda…

AMANHÃ, A MADRUGADA

AMANHÃ, A MADRUGADA


     É cálida a noite.

     As aves vigiam, guardando silêncio.

     Suave é a brisa, acariciadora.

     A lua, matreira, resguarda-se numa nuvem.

     As estrelas dão as mãos e sorriem.


     Tempo de vésperas.

     É chegada a hora dos audazes.


     Um raio de luz aponta a alvorada, a tão desejada alvorada.

     O princípio da esperança, a eterna esperança.

     É a madrugada do futuro prometido.

O CV DE VANESSA

 O CV DE VANESSA


     Depois de anos de bons serviços - muito trabalho - a Josefa deixou de servir na casa do morgado, senhor da terra. Não importam as razões, mais as suspeitas que as conhecidas.
     Além da trouxa com os pequenos haveres, e da generosa paga, a Fina, assim conhecida, foi servir para outra casa. Levava consigo uma carta de recomendação a atestar o profissionalismo, a dedicação e a honestidade com que sempre serviu o senhor morgado.
     Valendo como passaporte para uma vida talvez melhor, a meia dúzia de linhas da carta de recomendação era o Curriculum Vitae daqueles tempos passados na quinta.

     Os anúncios de oferta de emprego são taxativos: M/F (será escolhido o candidato que der mais lucro à empresa); 12º ano de escolaridade (têm preferência os licenciados: no começo das carreiras não protestam); conhecimento de línguas estrangeiras (o português não é prioritário); experiência anterior (pesa pouco: se tem experiência, o candidato já não será um jovem); carta de con…