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ROSAS E CARDOS

ROSAS E CARDOS

     A avaliar pelo sorriso rasgado do Ministro do Trabalho (também da Segurança Social, que agora não importa, e da Solidariedade, nome sem cabimento), o resultado da reunião da Concertação Social foi um sucesso: os trabalhadores, especialmente os milhares de precários, terão liberdade para continuar as suas lutas.
     Isto, do lado do Governo.

     Do lado do patronato, o patrão dos patrões apresentou-se, no final da mesma reunião, com um sorriso ainda mais franco a justificar a vitória da classe mandante, ainda que pouco produtiva - para produzirem existem os trabalhadores, e quanto mais precários tanto melhor...
     Isto, do lado dos patrões.

     A classe operária, o terceiro grande "parceiro" nas negociações, esteve muito mal representada, como quase sempre. E assim, alguns dos seus mandatados não mostraram grandes tristezas ou sinais de pequenas revoltas. 
     Sinal dos tempos... 

     Na sua tamanha sabedoria (e bondade) o senhor Ministro da Solidariedade …
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GLENDA JACKSON

GLENDA JACKSON

     Nascida em 1936, Glenda Jackson foi actriz durante 35 anos. Muito inteligente, marcadamente irónica e possuidora de forte carácter, guardamos na nossa memória as suas representações em séries da BBC: "Rainha Elizabeth I" e "Mary, Rainha da Escócia".
     A Academia premiou-a com dois Óscares.
     A Grã-Bretanha atribuiu-lhe a Ordem do Império Britânico (CBE).

     Mulher de causas, feminista, não poderia ser indiferente a uma mais intensa participação na sociedade: em 1992 foi eleita para o Parlamento Britânico (e reeleita em 2001, 2005 e 2010). Foi Ministra dos Transportes.

     Numa altura em que os políticos preferem adoptar a bajulação, deixando de ser verdadeiros e perdendo credibilidade, sobressai em Glenda Jackson uma qualidade enaltecida pela vivência nos palcos: a necessidade de se ser verdadeiro.

     Ficou célebre uma sua intervenção no Parlamento, quando se referiu à política (e à personalidade) seguida por Margareth Tatcher - a Dama de F…

O CV DE VANESSA

 O CV DE VANESSA


     Depois de anos de bons serviços - muito trabalho - a Josefa deixou de servir na casa do morgado, senhor da terra. Não importam as razões, mais as suspeitas que as conhecidas.
     Além da trouxa com os pequenos haveres, e da generosa paga, a Fina, assim conhecida, foi servir para outra casa. Levava consigo uma carta de recomendação a atestar o profissionalismo, a dedicação e a honestidade com que sempre serviu o senhor morgado.
     Valendo como passaporte para uma vida talvez melhor, a meia dúzia de linhas da carta de recomendação era o Curriculum Vitae daqueles tempos passados na quinta.

     Os anúncios de oferta de emprego são taxativos: M/F (será escolhido o candidato que der mais lucro à empresa); 12º ano de escolaridade (têm preferência os licenciados: no começo das carreiras não protestam); conhecimento de línguas estrangeiras (o português não é prioritário); experiência anterior (pesa pouco: se tem experiência, o candidato já não será um jovem); carta de con…

AMANHÃ, A MADRUGADA

AMANHÃ, A MADRUGADA


     É cálida a noite.

     As aves vigiam, guardando silêncio.

     Suave é a brisa, acariciadora.

     A lua, matreira, resguarda-se numa nuvem.

     As estrelas dão as mãos e sorriem.


     Tempo de vésperas.

     É chegada a hora dos audazes.


     Um raio de luz aponta a alvorada, a tão desejada alvorada.

     O princípio da esperança, a eterna esperança.

     É a madrugada do futuro prometido.

AS GUERRAS DOS OUTROS

AS GUERRAS DOS OUTROS

     Em 9 de Abril de 1918 - há cem anos - o Exército Português (as Forças Armadas portuguesas) combatia no inferno de La Lys, no Norte de França, ao lado das tropas francesas contra as poderosas forças alemãs, depois da declaração de guerra da Alemanha a Portugal.
     Morreram muitos milhares de soldados portugueses, e muitos milhares ficaram feridos e com graves doenças.

     Hoje foi dia de homenagear com solenidade tantos heróis - sim, todos foram heróis - e as suas famílias. Nunca serão demasiadas as justas palavras que se digam, e também nunca secarão as lágrimas que por eles se choram.

     Hoje, e num acto de solidariedade e fraternidade, também deveria ser dia de honrar os militares portugueses que, mesmo não envolvidos numa guerra, estão prontos, por juramento solene, a defender a nossa Pátria.

     Na mesma Primeira Grande Guerra, muitos soldados indianos foram recrutados para combaterem na Inglaterra, ao serviço do seu rei-imperador. Um dos súbditos solda…

EMPREGO E DESEMPREGO

EMPREGO E DESEMPREGO

     Os números do desemprego agora revelados confirmam o que já se pressentia: para além da dificuldade em contabilizá-los com exactidão, persiste a manutenção de princípios que ajudam a esconder as realidades, que têm sido regra nas políticas do trabalho e servido para jogos de interesses vários, e nunca para a melhoria das condignas condições dos trabalhadores.

     Mas o desemprego diminuiu, é certo, e isso é bom.

     Neste âmbito - o do trabalho - o maior cancro social reside no regime dos trabalhadores precários (empresas privadas), em que predomina a exploração do trabalhador, quer pelos salários muito baixos, quer pelas condições desumanas  (físicas e de coacção moral), quer ainda pela incerteza de possibilidade de permanência no emprego.

     Exemplos há muitíssimos, e as empresas regem-se todas pela mesma cartilha: uma vez admitidos (após concurso), os futuros trabalhadores pagam a exigente formação do seu próprio bolso (igual ou mais que um mês de vencime…

XIS PONTO ZERO

 XIS PONTO ZERO

1. Os avanços tecnológicos, em especial no domínio da informática, maravilham-nos. E a cada dia que passa, espantosamente, mais se inova, para bem das sociedades, espera-se.
    O desenvolvimento da ciência e a aplicação de tamanhos progressos podem levantar algumas questões: definição de prioridades (investigar o quê) e consequências para a humanidade (benefícios e malefícios).
    As próprias sociedades, por intermédio de variadíssimos organismos, devem vigiar os caminhos seguidos por tantos avanços. Não há outro meio. Esvoaçam zeros...

2. No nosso dia-a-dia já usufruímos de alguns dos efeitos práticos das novas tecnologias: por exemplo, é-nos facilitada a vida para pagarmos impostos, mas para se reclamar um erro ou qualquer prejuízo que nos causem, volta-se ao tempo da ardósia. Ficam os zeros...

3. Ainda agora sucede: um trabalhador despedido recebe um impresso próprio da Segurança Social, já preenchido com os dados que irão ser exigidos, e entrega na Repartição da sua á…